Autocompaixão

Uma força da natureza humana

1/11/20262 min read

Autocompaixão

Significado

Sentimento gerado pela percepção da própria insatisfação somada a aspiração de diminuir ou se libertar desta.

É a capacidade de reconhecer o próprio sofrimento sem julgamento, respondendo a ele com cuidado, responsabilidade e humanidade.

No nosso primeiro choro, nascia a raiz da autocompaixão e da compaixão. Não havia eu, ou outro, mas o presente comum que unia pessoas para cuidar, nutrir, diminuir a fome e o frio.

Mundo interno

Atenção às falhas, limites e sofrimento mantendo a consciência clara, sem colapso da autoestima, associado à vontade de se desprender deste estado.

A atenção tende a se desligar de ruminações autoculpabilizantes, o pensamento torna-se menos rígido, moralizante e mais avaliativo, e a afetividade reconhece o sofrimento sem amplificá-lo excessivamente. O insight permanece preservado, para a segunda parte, o movimento mental que desloca a experiência do sofrimento, para alguma forma de liberdade.

Mundo externo
No mundo externo, a autocompaixão se traduz em comportamentos mais realistas e regulados. A pessoa passa a fazer escolhas que consideram limites concretos, a estabelecer fronteiras mais claras nas relações e a reduzir padrões de autossabotagem e exaustão.

Há maior disposição para pedir ajuda e sustentar mudanças ao longo do tempo, sem recorrer à violência interna como motor de ação. As relações tornam-se menos defensivas e mais autênticas, e a organização da vida material tende a refletir cuidado básico com o corpo, o tempo e os recursos disponíveis, diminuindo a repetição automática de padrões de sofrimento.

Mover-se em direção ao autocuidado, do básico diário ao extraordinário.

Ignorância
C
amuflar-se na autopiedade para justificar os próprios vacilos. Crença de que cuidado consigo mesmo equivale a fraqueza, acomodação ou perda de controle.

Sustentar a ideia de que apenas a autocrítica severa produz crescimento, levando a confusão do valor pessoal com desempenho, sacrifício ou dor.

Hábitos autodestrutivos, principalmente para evitar a vulnerabilidade, não produzem liberdade, mas escapismo temporário.

Julgamentos que bloqueiam o contato genuíno com o sofrimento e fraquezas reais.

Não dá pra ser compassivo em tudo. Não se cobre, não tem estereótipo.

Prática formal
1- Leve à atenção, uma dificuldade atual e reconheça-a conscientemente como sofrimento presente, sem narrativas explicativas ou julgamentos.

Nomeie a experiência, reconhecendo amistosamente sua existência, permitindo a possibilidade de responder a ela com cuidado.

Permaneça alguns minutos em contato com as sensações corporais e afetivas associadas, favorecendo a integração entre consciência, afeto e regulação emocional.

2- Observe sua postura, alinhe a coluna de forma confortável. Inicie trazendo a atenção à respiração, e quando se sentir à vontade, repita mentalmente os seguintes votos, as seguintes aspirações: Que eu esteja bem, em paz e saudável. Faça isso por 1, 2, ou quantos minutos quiser. Retorne a atenção a respiração e observe como você se sente. Segue a vida.

Prática informal
1- Observação e transformação deliberada do tom interno diante de erros, falhas ou limites. Ao perceber a emergência de julgamentos duros ou punitivos, procure ir além da linguagem acusatória com uma descrição clara e cuidadosa da experiência, interrompendo o ciclo automático do segundo sofrimento (os que não advém da experiência, mas do pensamento inicial sobre a experiência.

2- Ao tomar banho, ir dormir, comer, observe com atenção que este é um ato de autocompaixão que você está fazendo por você. Parecem simples, mas todos diminuem alguma insatisfação e sustentam a vida. Repare e nomeie a insatisfação e seu caminho de saída.